segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Passado permeável
Às vezes eu me permito voltar um pouco no tempo, na vida e na sensatez e me encontrar comigo como antes eu era. De vez em quando, preciso de um pouco de mim menina, de mim perdidamente crente na possibilidade de um final feliz. Mas também há um quê de mim perdida, tentando encontrar sentido e buscando construir sonhos e vontades e justificativas e formas de me manejar e manter também alguém ao meu lado. Por um tempo fui bem mais que só eu... E percebo hoje que enquanto isso tenha sido bom, pelo menos no momento, talvez não tenha sido o melhor que eu pudesse ter feito por tanto tempo. De qualquer forma, me sou hoje tão diferente de então que chego a me perguntar se era realmente a mesma pessoa nas duas épocas. E a resposta é que verdadeiramente não, não era a mesma eu antes que sou agora. Por mais que me descubra, escreva, perceba e reinvente, ainda há parte de mim que anseia pela de antes e outra parte que a deseja exterminar.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Paralelismo em páginas
Essa semana visitei uma livraria. Lembrei que sempre sentia um certo conforto em estar rodeado de tantas palavras, tantos papéis, tantas histórias e vidas e conhecimento. Lembrei que tinha vontade de livros, do cheiro deles, do doce som do passar de suas páginas. Que eu os tomava em minhas mãos e fazia de sua história a minha, ainda que por apenas horas. E que eu transitava por tantos mundos e conhecia tantas verdades e seres que nem sequer tinha tempo pra me problematizar, pra me perseguir e pra me ser. Agora... Agora me assustam em sua imensidão de coisas que eu não sei, em um vazio de existência e um verdadeiro vão de conhecimento que me deixei cultivar. Será que há tempo de retomar todos os eus que já fui em outras páginas, reconquistar cidadania de meus outros mundos? Ou terei que estar sempre presa na realidade enfadonha de ser apenas uma, de ter apenas meu lugar, de só viver realidade?
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Ambíguo em cor
Lá fora cai o mundo em chuva e aqui dentro cresce meu mundo em sonho... É que pra mim, é tão místico contemplar o desabar do céu em cinza, as gotas pinceladas na janela. Todo mundo desacelera, tudo fica mais ambíguo, mais indefinido. Em dias de chuva, a cidade é mais suave, os ângulos menos retos e os pontos de vista mais propensos a se deixarem perder. E deixar perder tudo de vista, fechar os olhos e sentir na rua a água. A água que lava a cidade de sentido, de vida, de movimento. Lava as ruas e lava os seres e leva as mentes a pensar... A ironia é que quando o cinza apaga todo o mundo lá fora, pinta um arco-íris bem vivo aqui dentro de mim.
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