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terça-feira, 24 de maio de 2011

Arquitetura da Escrita

Existe diferença. Podem afirmar que não, mas eu, você e cada pessoa que aprecia verdadeiramente o prazer de escrever atestará que sim. Quando se escreve do centro da mente, do pensamento livre e espontâneo que lhe vem, por acaso, no meio de uma aula chata, quando deveria estar prestando atenção em outra coisa. Quando a vontade transborda em papel e aquilo é apenas uma extensão de você. Quando as mãos pedem, a cabeça pede, cada célula literária do corpo pede. Agora vai me dizer que essa sensação de preenchimento natural e de satisfação se iguala à de elaborar um texto minuciosamente arquitetado, que tem cada palavra medida, cada frase projetada e cada parágrafo coordenado numa combinação completa? Não, meus senhores... Essa forma de escrita "superior", que infere no planejamento de cada detalhe, não tem como intenção satisfazer a quem a realiza... Apenas a quem tem vontade e tempo o suficiente para esmiuçá-lo em pedaços e, apesar de todo o esforço e esmero, identificar cada componente que o denigra.

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Cada parte de mim
Cantos de vontade
Pedaços de céu azul, de noite quente,
De dia frio, mente aberta,
De perdidas verdades
Alma incerta
E coração vazio
Tardes de chuva, nuvens espessas, pingos no chão
Ideias perdidas, deixadas,
Memórias revividas sem compaixão
E o estio, que desperta
A vida pálida, utopias passadas
Em espirais de intenção
Realidade - que se confunde
Em cada mentira que acoberta
Que esconde, que convence a mim
E a cada parte
Que é segredo, passado e irrelevante
Tamanha desolação
E alerta

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Fuja
Do sentimento que inebria
Do pesar que entedia
Da temida monotonia
Que cega

Seja
Sua paz e harmonia
Sua breve sintonia
Sua própria alegria
Que não cessa

Corra
Para o que te alivia
Para longe da hipocrisia
Para o sol que aquecia
Que se pôs

Pense
Pelo sonho que nascia
Pelo que o mundo sabia
Pela solidão que morria
Pelo que a mente lhe trazia
Pelo dia

domingo, 1 de maio de 2011

Ponto de vista

Ultimamente, andar de ônibus me tem sido um grande conforto. Simplesmente há algo sobre a anonimidade de permanecer sentado ali naquele banco... Se dissipa a individualidade, me sinto transformada em apenas um plano de fundo, parte da paisagem. Observando de camarote o espetáculo da existência e simplicidade do cotidiano. Sendo coadjuvante da minha própria história, ao som da trilha sonora do meu mp3. Imagino um narrador, como aqueles dos filmes, só aquela voz em terceira pessoa explicando ao espectador o entediante percurso da minha mente, os pensamentos irrelevantes que constroem aquele trajeto. Me perco... Mas não me permito, jamais, passar do ponto. O ponto onde me encontro novamente com a realidade. Onde os devaneios se encerram e eu regresso ao posto de protagonista solitária. O fim da história, a alteração do foco narrativo. O fim - início de um novo ponto de vista.