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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Passado permeável

Às vezes eu me permito voltar um pouco no tempo, na vida e na sensatez e me encontrar comigo como antes eu era. De vez em quando, preciso de um pouco de mim menina, de mim perdidamente crente na possibilidade de um final feliz. Mas também há um quê de mim perdida, tentando encontrar sentido e buscando construir sonhos e vontades e justificativas e formas de me manejar e manter também alguém ao meu lado. Por um tempo fui bem mais que só eu... E percebo hoje que enquanto isso tenha sido bom, pelo menos no momento, talvez não tenha sido o melhor que eu pudesse ter feito por tanto tempo. De qualquer forma, me sou hoje tão diferente de então que chego a me perguntar se era realmente a mesma pessoa nas duas épocas. E a resposta é que verdadeiramente não, não era a mesma eu antes que sou agora. Por mais que me descubra, escreva, perceba e reinvente, ainda há parte de mim que anseia pela de antes e outra parte que a deseja exterminar.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Paralelismo em páginas

Essa semana visitei uma livraria. Lembrei que sempre sentia um certo conforto em estar rodeado de tantas palavras, tantos papéis, tantas histórias e vidas e conhecimento. Lembrei que tinha vontade de livros, do cheiro deles, do doce som do passar de suas páginas. Que eu os tomava em minhas mãos e fazia de sua história a minha, ainda que por apenas horas. E que eu transitava por tantos mundos e conhecia tantas verdades e seres que nem sequer tinha tempo pra me problematizar, pra me perseguir e pra me ser. Agora... Agora me assustam em sua imensidão de coisas que eu não sei, em um vazio de existência e um verdadeiro vão de conhecimento que me deixei cultivar. Será que há tempo de retomar todos os eus que já fui em outras páginas, reconquistar cidadania de meus outros mundos? Ou terei que estar sempre presa na realidade enfadonha de ser apenas uma, de ter apenas meu lugar, de só viver realidade?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ambíguo em cor

Lá fora cai o mundo em chuva e aqui dentro cresce meu mundo em sonho... É que pra mim, é tão místico contemplar o desabar do céu em cinza, as gotas pinceladas na janela. Todo mundo desacelera, tudo fica mais ambíguo, mais indefinido. Em dias de chuva, a cidade é mais suave, os ângulos menos retos e os pontos de vista mais propensos a se deixarem perder. E deixar perder tudo de vista, fechar os olhos e sentir na rua a água. A água que lava a cidade de sentido, de vida, de movimento. Lava as ruas e lava os seres e leva as mentes a pensar... A ironia é que quando o cinza apaga todo o mundo lá fora, pinta um arco-íris bem vivo aqui dentro de mim.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mundo em expansão

A vida tem um jeito engraçado de ser... Por mais que possa parecer clichê essa afirmação de "o universo nos surpreende" e "nunca diga nunca", creio que jamais se entende o total significado de como podemos nos surpreender, até mesmo conosco, até que isso aconteça. Pode ser ouvir uma música antes detestada, ir àquele lugar onde jurou nunca pisar o pé ou até mesmo conversar com alguém que antes era irrelevante. É aí que percebemos as limitações que nós mesmo impomos aos nossos mundos particulares, e vemos também o quanto é possível expandir a percepção das coisas. Arriscar-se, ainda que seja da forma mais singela, sempre traz esclarecimentos. E pode também trazer novas convicções, novas vontades, novos questionamentos...Até mesmo verdades que julgávamos já ter descoberto.

sábado, 26 de novembro de 2011

Essencialismo, rs

Do que consiste realmente a vida? Incessante busca pela felicidade? Pelo sucesso? Pelo amor? Há tempo atrás, tinha uma ideia mais bonita do que seria viver... Tinha um plano, quase um roteiro de vida, em que as cores eram mais fortes, os sorrisos mais sinceros e - em algum lugar - havia um parque cheio de árvores de copas largas, que enchiam o espaço de sombra e o coração de tranquilidade. Hoje... Hoje viver é um conjunto de funções físicas; respiratórias, metabólicas e nervosas e uma eu quase que em auto piloto, andando sem rumo por aí. A intensidade da vida pode ser em demasia ou em falta. A minha está apenas neutra. E não tenho culpa se me resumo a palavras, a sonhos irreais e desejo de novo brilho nos olhos, é apenas do que consiste minha essência.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Devaneio em constância

Sei que na verdade a culpa é minha... Minha, sim, por me abandonar sozinha comigo tarde da noite ouvindo essas músicas. Minha, culpa de quem acumula tristezas e coleciona insatisfações e exerce com constância o dom da procrastinação, tanto emocional quanto físico quanto acadêmico. Sabe, não é que eu não tenha vontades, nem sonhos, nem desejos de mudança. Mas... É que dentro de mim se escondem mais caminhos tortuosos do que você imagina. E os sorrisos e risos que distribuo por aí são muito bem companheiros de um estado de espírito divergente. E sei que é minha culpa, porque o tempo passa por mim e as pessoas passam e os conselhos perdem a validade e eu continuo aqui, pensando, e ouvindo a mesma música. Porque no fim, sou sim a mesma pessoa, a mesma menina tímida, a mesma garota quieta e os mesmos pensamentos de coração quebrado.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Shadow of the day

Lá fora chove. Chove com força e vontade tamanha que se apaga toda a cidade em água e escuro e céu rosa cinzento. A chuva bate na janela, molha as árvores, ofusca as luzes que são meu norte pessoal. Nada se vê em definição, a tempestade é o melhor momento pra se fruir a falta de resolução exata. Quando o vento a traz, a chuva pede passagem, pede espaço, pede caminho que - mal sabe ela - eu deixo sempre reservado para a fastidiosidade da vida e dos pensamentos. Quando há tempestade e ambiguidade de pensamento, é porque ainda que haja todo um céu azul de tarde de primavera a resplandecer lá fora, dentro de mim há muito cinza, muitas nuvens, e um vento que quase sempre sopra do sul.

domingo, 20 de novembro de 2011

Relativamente bem

Chega um momento em que somos forçados a perceber que nunca estará tudo bem. Sempre haverá mais uma vontade, mais uma preocupação, mais um algo a ser feito. E enquanto isso pode prover uma sensação de leve desespero às vezes, fazendo parecer que jamais alcançaremos os alvos que temos em mente, também temos que reconhecer que as inquietações fazem parte da jornada. Independente de onde se quer chegar, é necessário que tenhamos algo para nos lembrar de que não podemos ficar parados. Na caminhada, encontraremos coisas a serem feitas, arrependimentos, erros próprios e alheios... Mas é necessário aceitar tudo isso e andar. Mesmo que devagar, mesmo que sem rumo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Traçando supérfluos

Muitas vezes somos atraídos pelo visual. O que é visto se relaciona tanto com os sentidos, com a emoção, com a resposta que temos a algo. É fácil se deixar levar por um anúncio de pouco conteúdo se ele nos fisgar pelo olho. Assim como também é fácil se deixar levar por uma roupa bonita, por um sorriso bonito, por uma vontade de cor e beleza que vem de dentro. Mas na verdade, não é o traço da escrita que importa, o que devemos absorver é a mensagem. E não incomumente, mensagens lindas são surrupiadas de sua verdadeira apreciação pelo espaço que concede-se àquilo que só traz agrado instantâneo. Leia mais a fundo, olhe mais a fundo, perceba mais a fundo. A beleza que há nas coisas nem sempre está na superfície.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Datas e cores

É fácil se perder em meio a tantos dias. Temos dias bons, dias ruins, dias de extrema inspiração e dias em branco... Cada conjunto de 24 horas que passamos tem diferente conotação, importância ou desdém específico. Às vezes atribuímos a certos dias uma importância simbólica, ou uma significação magnífica que necessita ser celebrada. Às vezes outros nos atribuem significações impostas, e somos obrigados a observá-las. Mas os dias são apenas horas, horas apenas minutos, minutos apenas segundos e assim por diante... Acho que o que quero dizer é que os dias são apenas tempo. Tempo para preenchermos da forma que melhor acharmos, seja com caneta colorida, glitter e adesivos de criança ou com traços firmes em nanquim preto. Nós desenhamos o tempo, e o tempo é apenas nossa vida... A vida sendo só uma existência na qual seguimos, dia após dia, por determinação.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Em crise

Crise: Manifestação violenta, repentina e breve de um sentimento, entusiasmo ou afeto.


Breve. É isso que o dicionário diz. Mas e quando tudo é violento, repentino, entusiasmo, afeto ou desespero? Quando a vida é apenas uma manifestação desse predicamento incomum? Seria correto dizer que vivo em crise? Ou então considerar que, sendo minha existência também breve, toda a minha vida é uma crise? Sei que há momentos de dissipação de tormento, mas esses são menores que os que gasto em tempestade. Vivo. Sim, vivo, isso não há como contradizer. Mas não vivo em crise, vivo a crise, uma crise é minha vida. Que seja breve.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

(Re)Conhecer

Relutante, ela entrou. E ao sentar-se, sentiu iniciar aquela longa viagem que sempre se fazia, independente de querer ou não. Fechou os olhos e enxergou pra dentro de si, do tempo que tinha passado deixando-a se perder. Cerrou os braços contra o peito e sentiu a dor. A dor sempre vinha, não só nessas viagens, mas em horas de indefinição e naqueles momentos vulneráveis de cabeça no travesseiro antes de dormir. As luzes já haviam se apagado e ela reclinou a cadeira, colocou o sinto de segurança. Não havia precaução que pudesse a poupar daquilo, ela sabia e se resignou. A música lhe pulsava pelos ouvidos e as melodias cantavam memórias de outros tempos, outras vontades. Sua mente se fechou. Ali, com os olhos fechados, ela sabia que não importava o seu destino. Ela jamais chegaria a onde já esteve. Reconhecer essa impossibilidade lhe trouxe inquietação, e até um certo desespero. Mas ao passar da noite, quando os primeiros raios de sol começaram a tocar seu rosto, ela sabia que isso só significava que havia um caminho infinito a ser trilhado, de possibilidades também infinitamente melhores.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Em pavor

Eu tenho medo do escuro e de estradas tortas... De caminhos que não têm destino certo, da visão que se perde na neblina. Tenho medo do duvidoso, do inseguro, de tudo o que se modifica antes de se consolidar. Temo a noite, com suas horas quietas e compridas que me atormentam sem motivo e o dia, claro e imodificável, sempre me traz promessas de coisas vazias... Fujo de tudo que me limita, que me prende, e tenho medo de andar solta, sem caminho próprio a seguir. Tenho medo de viver, e medo de morrer, e medo de ser. E de não ser.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Capital State of Mind

É um novo ponto. Uma nova visão. Eu olho da janela e de repente, estou em outro mundo. Quando o sol se esconde, a cidade acende e então começa nova vida. Novos sons. Tudo é tão novo, tão vasto e tão complexo que me perco na confusão emaranhada de ruas e placas e vidas que se cruzam na calçada. É muita vida pra pouco lugar. É muito lugar pra pouco eu. É um lugar que pouco a pouco se faz em mim, se faz minha vida.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Timing is everything

Tem muita coisa que acontece sem que a gente saiba realmente por que. Horas em que nos perguntamos por que estamos aqui, momentos em que as coisas não parecem fazer sentido real. Por outro lado, há tanta coisa que acontece exatamente quando precisávamos que acontecesse, como encontrar aquele poema que te descreve, ou rever um velho afeto no dia em que não se sente assim tão bem...
É uma pena que não temos nenhum controle dessas coincidências agradáveis, apenas ficamos sujeitos a sabe-se lá o que que move as forças desse mundo. E às vezes as forças acertam, às vezes elas erram. Ultimamente, tenho tido uma série de desencontros essenciais com a vida. Há um tempo que o tempo não me faz assim tão bem...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

What does it

Quando levantamos da cama cedo, olhamos pela janela e ainda está clareando, o que nos faz levantar da cama? Quando lutamos contra a vontade de fazer nada, de pensar nada, de permanecer parados, o que é que nos motiva a olhar pra frente e caminhar? O que nos move a nos mover? O que é que inspira, em cada um, a vontade de seguir em frente e não olhar pra trás... Isso vale a pena ser pensado.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Desencontro

Nem sempre a busca é sobre obter as respostas... Na maioria da vezes, é só sobre procurar. Sobre tentar encontrar, tentar se encontrar. E há aqueles que caminham por toda a vida sem nunca definirem aquilo que realmente são. E os que tem tudo descoberto, planejado, articulado e só depois percebem que, na verdade, não sabem nada. Aí então a busca realmente começa...

domingo, 23 de outubro de 2011

Engano seu

É engraçado. Você passa tanto tempo pensando, querendo, sonhando, idealizando cada momento de como seria alcançar o desejado. A gente passa tanto tempo focando no que ainda não aconteceu e criando um mundo todo de expectativa. E se algum dia realmente chegamos a alcançá-lo, nos deparamos com a triste realidade. Nem tudo é assim como se quer, como se pensa. Talvez a maior felicidade não seja o sonho de distância e liberdade idealizado. Talvez o melhor seja realmente um café bem quente, uma cobertinha e ficar enrolado no sofá assistindo um filme. Só isso.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Que se seja


Que se tenha um dia. Na verdade, não se necessita exatamente de 24 horas. Pode ser mais, pode ser menos. Mas que se tenha um tempo. Um momento de pensamento, de reflexão. De saber. Ou talvez de não saber ao certo, de querer descobrir. Um tempo pra se ser antes de ser para outro... A existência é tão cheia de necessidades, de responsabilidades e chamados a serem atendidos. É preciso tempo pra se esvaziar de expectativas, pra se forjar uma posição própria, pra ser. Não é necessário focar tudo em outros. Não é necessário focar em ninguém além de si mesmo. E é importante ser, antes de tudo e acima de tudo, imutável na essência do desejado. 

domingo, 9 de outubro de 2011

Reciclando

Há coisas que fazemos que nos deixam tão mais leves... Tão mais em perspectiva, tão mais focados. Às vezes é extremamente necessário tomar um tempo e perceber o que é que estamos fazendo e onde pretendemos chegar com isso. Ainda que seja complicado, ou doloroso, é preciso parar pra decidir organizar a vida. Categorizar vontades, definir prioridades e estabelecer limites. Tudo bem que esse processo não é o mais divertido, mas é necessário que seja feito. Quanto antes, melhor. Adiar a mudança que se é necessária não traz bem algum a ninguém, mas remover do seu cotidiano ou círculo de convivência algo ou alguém que não mais se encaixa, não mais se faz querido ou necessário, isso sim pode se tornar um verdadeiro alívio, e avanço.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Foco

Não me atraem transmissões ondulares ou propagações radiofônicas, eu sou tão linear quanto a geometria, tão convencional quanto um quadrado, tão alfabética quanto a álgebra. Ou até mais.

domingo, 2 de outubro de 2011

Cores

Há dias em que o nada é muito. É muito não pensar, muito não agir, muito não saber... O silêncio dói no corpo e a vastidão e incerteza doem na alma. Dias em que se evita lembrar ou querer ou tentar descobrir o que virá. Esses dias são só deles, momentos para vagar em existência e não para tentar ser vividos, horas de simplesmente se deixar perder... Pois assim como surgem, incomodam, atormentam, fazem-se em noite e aos poucos se dissipam, perdendo o sentido e a importância ao partirem. E no final, tornam-se apenas pinceladas fracas no desenho geral da vida. Ao olhar pra trás, o importante não será o dia cinza que te preencheu num mês avulso a não se sabe quanto tempo atrás. O que ficará é apenas a impressão de que se passou por dias brancos, pretos, cinzas e coloridos e que tudo isso é o que compõem o cenário geral - a aquarela da existência.

sábado, 1 de outubro de 2011

Tick tock goes the clock

Às vezes o tempo sobra. Nunca é quando se quer que sobre... Nos momentos em que é preciso que o tempo desacelere, descontinue, desdenhe de sua cronologia,  é sempre o contrário. Toda vez que se quer tempo ele se esgota, rápida e impiedosamente. Mas quando só se quer piscar e perceber que lá se foi o dia vazio que se dá, aí sim o tempo sobra. Sobra, transborda, sufoca na sua presença inquestionável e imutabilidade. Em dias que o tempo é muito, me perco. Me perco em pensar em tempos futuros e pretéritos imperfeitos... Em como caminho e o que há de abundantemente errado e escassamente certo nesse meu programa de vida. Será que é o tempo que causa o vazio? Ou o vazio surgiu e o tempo tem tentado abstrair o fato de que ele continua ali, mesmo depois de tudo que há de novo. Dá vontade de se encher de erros, às vezes. De deliberadamente me encher de erros, erros novos pra abstrair os passados, pra distrair o que há de tão vulnerável e incerto. Erros pra mudar o repertório de lamentos, pra preencher mais linhas nos meus cadernos e mais espaços na minha mente. E pro tempo não ser mais a principal preocupação ou ocupação ou interesse. Há tanto que me espera, de certo, errado e duvidoso. Será que ser é um erro? Eu ser seria, então, um dos piores cometidos. Existir e subsistir no cenário temporal e de pensamentos que crio pra mim mesma tem sido, a cada dia, um desafio maior e mais complexo. E o tempo falta e sobra em todas as horas erradas.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

In the dark.

Apesar de tanto tudo que se vê todo dia, que se sente passando pelas ruas, que se percebe no rosto das pessoas e até mesmo no balanço das árvores, há dias em que acordo com um vazio em mim para qual não sei se há preenchimento. É uma sensação estranha, é uma confusão interna, um muito nada que me toma por completo. Não sei ao certo de onde vem. Não dá aviso prévio, só incômodo profundo. É incrível, tem tantas palavras, tantos desenhos, tantas melodias, tanta felicidade e expressão de emoção e vida ao alcance da mão, e eu aqui, nesse vazio, sem ser parte disso. Só há, pra mim, agora, uma sombra de existência.

domingo, 25 de setembro de 2011

Unexpected

Olha, tem coisas que você realmente não espera. Coisas que vêm do nada, surpreendem e exigem reação. Tem interações inesperadas, conversas aleatórias, comunicados surpreendentes. Tem coisas que te fazem questionar sua posição no mundo, pessoas que conseguem fazer isso mesmo sem tentar. Há tanto que pode te mover, que pode te tocar de uma forma tão indeterminada e não premeditada. E mesmo que sem intenção prévia, tem muito que pode te destruir, simplesmente por acontecer. E muito que te alivia, que te felicita, que te inspira a continuar. Simplesmente por não estar acontecendo com você.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

-

O passar do tempo, a convivência diária com pessoas e a observação do universo nos levam à construção de algumas pequenas convenções. Não faça com o outro o que não quer que façam com você, respeite para ser respeitado, esse tipo de coisa. E também somos levados a crer que há uma certa ordem das ações no universo, um motivo para tudo que acontece, uma lei de ação e reação. Mas chega certo ponto em que devemos confrontar a fria realidade: as pessoas agem de acordo com o que elas querem, não com o que merecemos. Nem sempre um bom dia ou um sorriso dispensado a alguém são garantia de retribuição. E não importa o quanto você fale, tente, espere, aja, faça, pense e disfarce, tem coisas e pessoas que nunca vão agir como deveriam. Que dirá agir como queríamos que elas agissem...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Video vida

Tem esperas que duram a vida toda. Tem vidas se resumem em esperar. Esperar um dia melhor, esperar o momento certo, esperar tudo acontecer apenas ver os dias passando pelos seus olhos. Tem muita espera em muito lugar, a gente tem que esperar crescer, tem que esperar entender, tem que esperar poder fazer o que a gente realmente quer. Ler o que a gente quer. Assistir o que a gente quer. Esperar a pessoa certa, no lugar certo, pelos motivos certos. A espera cansa. A espera entedia. Enquanto se espera a vida acontecer, toda ela vai embora sem nem se despedir. É preciso dar o primeiro passo, e o segundo, e seguir caminhando pra fazer acontecer o que se quer. Ou pode-se esperar, esperar, esperar, e morrer. Por que a vida não nos espera pra nada, não tem pausa, não tem stop. E quanto mais rápido dermos o play, mais rápido chegaremos ao final feliz. Ou ao meio interessante. Ou talvez somente ao foco. De qualquer forma, é preciso apertar o botão.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Alteridade

Talvez às vezes a ausência seja melhor do que a presença, a fantasia melhor que a realidade. Na falta de algo, ou de alguém, sempre se pode imaginar, criar, fantasiar e construir o que você realmente quer. Já quando algo ou alguém se faz presente, tem-se que perceber o quanto tudo é limitado, tudo é falho, tudo é humano. E nem sempre se quer realmente entender o outro. Nem sempre se quer aceitar, compreender, conviver em paz com as diferenças. Nem toda diferença é facilmente aceitável. Nem todo comportamento é tolerável. Nem todo padrão de conduta é compreensível e às vezes, acho que seria muito mais fácil viver num mundo de personagens inventados do que me render à auto invenção que envolve o dia-a-dia e os relacionamentos. "Pra viver, só se precisa de mentiras." Queria que as minhas mentiras fossem tidas como verdade, e que a teatralização do mundo seguisse meu roteiro. Creio que eu seria capaz de produzir um espetáculo extremamente vivo, extremamente satisfatório, extremamente identificável. Nesse mundo, pra quê tanta alteridade?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Lost.

Hoje estou reflexiva. Aproveitando esse meu momento espelho, quero refletir a respeito de algumas coisas que constantemente me vêm à cabeça. Queria me desculpar. Me desculpar por todos os momentos em que falei pra alguém algo que não era o que ele merecia ouvir, só o que eu queria falar. Me desculpar por ter dado importância demais a quem não me dava nenhuma e de menos a quem realmente se importava. Por todos os conselhos que eu ignorei só pra depois chorar mágoas das consequências. Por tudo que eu fiz de errado que não deveria ter feito, pelas coisas certas que não fiz. Pelas vontades que não persegui e pelas que persegui sem ter devido. Por todas as vezes que eu disse algo só por dizer. Por todas as vezes que eu falei algo só pela resposta. Por ter amado quem não me amava, por ter gostado de quem não gostava de mim. Por ter ocupado minha mente e meu tempo com quem não valia a pena. Por ter ignorado tanto minha mãe HAHA. Por ter feito coisas das quais sabia que me arrependeria. Por não ter tentado mais, errado menos, ter feito mais valer a pena. E acima de tudo, desculpas a mim, por não ter me dado a atenção, afeto e consideração devida. Refletindo, eu que perdi mais com relação a tudo que fiz. Eu que mais me perdi.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

- Bom dia.

É dia, já se vê lá fora o céu clareando e o sol que pensa em aparecer. É dia e é frio o vento que entra pela janela. É dia, o céu é turvo, o tempo é incerto. O dia tem tantas horas pra perdermos. As horas tanto tempo, tanto espaço, tanto pensar pra não saber. É dia, o sol já desponta em raios. Raios que não aquecem, raios que não colorem. É dia, e o dia não me obriga a despertar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Conflitual

A natureza humana é controversa. Quando em paz, queremos conflito, novidade, inquietação. E quando temos turbulências inerentes à vida, ansiamos pelo que tanto não queríamos. É tanta discordância interna que me confunde... Agora, o senso do novo traz saudades do bem conhecido, do habitual, do antigo cotidiano. O engraçado é que, enquanto eu estava lá o vivendo, só conseguia pensar no futuro. Mas e quando o futuro vira agora, o que se faz? É tão estranho pensar que há tanto tempo quis estar aqui, e agora não sei o que quero. Acho que quero tranquilidade, tem tanta luta dentro de mim que me cansou. E isso porque acabamos de adentrar o mês...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Funny how...

É engraçado como um dia se torna tão pouco na ausência de algo que tanto se quer. É insuportavelmente engraçado. É tão engraçado que chega a ser irritante, como uma daquelas piadas que você não quer mais ouvir. Como um daqueles silêncios estranhos depois das risadas. Como aquela pausa sem graça quando acaba o assunto. E é mais irritantemente engraçado ainda como tudo ganha graça apenas de ver aquela miniaturazinha, ou aquele nome estranho na minha janela. É tudo tão engraçado, e tão triste. É tudo uma grande piada de mau gosto. São sentimentos confusos e palavras inapropriadas para expressá-los. No fim, acho que só queria um tempo na comédia e na tristeza, só por um tempo. É engraçado como você sente falta da neutralidade, engraçado mesmo.

sábado, 27 de agosto de 2011

Produção significativa

Um dia produtivo não pode ser assim catalogado pela quantidade de atividades que nele se realizaram. Produtividade, pra mim, excede quantitativamente a essa limitação. Num dia em que nada se faz e muito se pensa, muito se cria, muito se infinita, há tanta produção de sentimento, de pensamento... E tudo isso é tão significante, se não mais, do que uma ação. Do que muitas ações. Do que ir ao centro, do que fazer compras, do que falar mil palavras pra milhares de pessoas. Há tanta inspiração no silêncio, tanta vontade na cautela, tanto tudo no nada que conceitos se modificam. Um dia produtivo, pra mim, foi ficar no meu quarto e pensar, sentir e escrever. E, é claro, sentir aquele lindo pôr do sol e ver a cidade se acender. Sinto não ser preciso muito mais que isso.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Considere

É sempre complicado considerar alguém. Em primeiro lugar porque, no final, o que essa consideração verdadeiramente significa? E quanto dela é verdadeiramente retribuída? Pensando nisso, passa-se a tentar pesar o quanto o afeto por alguém pode afetar a sua vida, e como você é afetada por ele. Nem sempre vale a pena dispensar a uma pessoa tanto sem saber ao certo o que virá em troca. E para os que julgam isso como racionalização extrema, interesse ou egoísmo, tenho que dizer que na verdade, não passa de uma forma de autoproteção. Nunca é seguro se doar sem medida, assim como também não é saudável receber demais de qualquer pessoa. É sempre melhor manter tudo muito calmo, muito abstrato, muito evasivo, enquanto não se tem um posicionamento próprio ou alheio.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Eu Amo Escrever

Eu Amo Escrever... Tá aí um conto, pra quem quiser ler e votar :]

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Metamorfose

Inúmeras vezes, temos a sensação de que estamos perdidos. E inúmeras vezes também, é em meio a essa confusão e falta de direção que encontramos um caminho a seguir, uma determinação. Mas e quando nos achamos onde sempre quisemos estar, no ápice da realização pessoal... Quando nos deparamos frente a frente com um sonho real. E então, podemos nos perder? Será que na verdade a forma de encontrar nossa felicidade é aleatória, é apenas aceitar o que vem e fazer o máximo disso? Ou será que, na verdade, todo sonho é realmente mais bonito em nossa mente do que no plano real das coisas? Muitas pessoas passam a vida inteira buscando se descobrir, se definir, se achar. Mas quando você se acha, quem está lá é realmente quem você queria que estivesse? Enfim, a construção do ser, da vontade, da definição acaba sendo muito mais interessante do que o verbete final. Acho que prefiro ser uma metamorfose ambulante... Do manter sempre a mesma eu formada sobre tudo :]

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Vivendo, rs

É engraçado como a vida se faz, você passa pelos lugares, passa pelas pessoas, passa pelos momentos. Você cria situações, cria sentimentos, cria diferenças, cria conexões. E quando, um dia, o sol raia pela janela, você acorda e percebe que você inventou tudo. Cadê a realidade? Infelizmente, nem sempre é tão bem feita quanto a ilusão que temos guardados carinhosamente em nós. Na verdade, acaba que nós não temos papel nenhum na determinação das circunstâncias - apenas temos que viver e conviver com elas. Todo o resto não nos cabe, é encargo maior, é frustração sem tamanho, é desolação completa.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ausência:

Se sente de forma intensa. É um sentimento desconfortável, que remete a lembranças, construções de cenário, pensamentos. Lateja, no espaço que lhe é determinado. Gera uma dor, uma vontade de ser suprida, corrói, acomete quem a sente de uma terrível aflição. Geralmente sucede a uma presença ou um acontecimento marcante. É sofrido tolerá-la, e não só se sente fisicamente, mas também de palavras, gestos ou pensamentos. Contraria grandemente o princípio de afeição.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

É...

Eu não sei por que. Nem começo a imaginar, nem elaborar explicação. Tem coisas que acontecem do nada. Tem vontades que surgem, tem desejos que se constroem, sonhos que te vêm na cabeça na hora de dormir. E eu não sei explicar essas coisas... Não sei nem me explicar! Uma das maiores descobertas alheias a meu respeito é que as vezes nem eu mesma me entendo... Que dirá os outros, que me vêem de fora e nem ao menos imaginam o que se passa dentro de mim. Simplesmente há coisas que fazemos. Há coisas que eu faço. Coisas que eu quero fazer, e quero sem motivo, sem culpa, sem precedentes. Há coisas que simplesmente acontecem... E as pessoas precisam aprender a lidar com isso.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Back to black

Eu sei que é uma coisa muito patética se lamentar por alguém que você mal conhece ... Alguém que só recentemente tornou-se importante, que você ainda não exatamente como se sente a respeito de. Alguém que vive tão longe. Alguém muito mais alto, tão diferente, tão enfurecedor, às vezes rude e chato. Mas se esse alguém era apenas uma pessoa que tem tantos defeitos, por que ele significa alguma coisa? Acontece que alguém também tem uma voz tranquila, um abraço acomodatício, um beijo suave e um sorriso bonitinho. Alguém sabe como me fazer rir, sabe como me fazer raiva... Alguém é insuportável, mas também tão necessário. Presente quando distante. Querido em muitas horas vagas. Alguém é apenas alguém, mas poderia ser um. Poderia ser o que eu quero para agora, por mais de alguns minutos, por mais de algumas horas. Alguém poderia ser alguém que eu poderia realmente (talvez, possivelmente, não sei) vir a amar. Agora, isso é o que torna tudo não apenas patético, mas totalmente desesperador.