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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mundo em expansão

A vida tem um jeito engraçado de ser... Por mais que possa parecer clichê essa afirmação de "o universo nos surpreende" e "nunca diga nunca", creio que jamais se entende o total significado de como podemos nos surpreender, até mesmo conosco, até que isso aconteça. Pode ser ouvir uma música antes detestada, ir àquele lugar onde jurou nunca pisar o pé ou até mesmo conversar com alguém que antes era irrelevante. É aí que percebemos as limitações que nós mesmo impomos aos nossos mundos particulares, e vemos também o quanto é possível expandir a percepção das coisas. Arriscar-se, ainda que seja da forma mais singela, sempre traz esclarecimentos. E pode também trazer novas convicções, novas vontades, novos questionamentos...Até mesmo verdades que julgávamos já ter descoberto.

sábado, 26 de novembro de 2011

Essencialismo, rs

Do que consiste realmente a vida? Incessante busca pela felicidade? Pelo sucesso? Pelo amor? Há tempo atrás, tinha uma ideia mais bonita do que seria viver... Tinha um plano, quase um roteiro de vida, em que as cores eram mais fortes, os sorrisos mais sinceros e - em algum lugar - havia um parque cheio de árvores de copas largas, que enchiam o espaço de sombra e o coração de tranquilidade. Hoje... Hoje viver é um conjunto de funções físicas; respiratórias, metabólicas e nervosas e uma eu quase que em auto piloto, andando sem rumo por aí. A intensidade da vida pode ser em demasia ou em falta. A minha está apenas neutra. E não tenho culpa se me resumo a palavras, a sonhos irreais e desejo de novo brilho nos olhos, é apenas do que consiste minha essência.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Devaneio em constância

Sei que na verdade a culpa é minha... Minha, sim, por me abandonar sozinha comigo tarde da noite ouvindo essas músicas. Minha, culpa de quem acumula tristezas e coleciona insatisfações e exerce com constância o dom da procrastinação, tanto emocional quanto físico quanto acadêmico. Sabe, não é que eu não tenha vontades, nem sonhos, nem desejos de mudança. Mas... É que dentro de mim se escondem mais caminhos tortuosos do que você imagina. E os sorrisos e risos que distribuo por aí são muito bem companheiros de um estado de espírito divergente. E sei que é minha culpa, porque o tempo passa por mim e as pessoas passam e os conselhos perdem a validade e eu continuo aqui, pensando, e ouvindo a mesma música. Porque no fim, sou sim a mesma pessoa, a mesma menina tímida, a mesma garota quieta e os mesmos pensamentos de coração quebrado.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Shadow of the day

Lá fora chove. Chove com força e vontade tamanha que se apaga toda a cidade em água e escuro e céu rosa cinzento. A chuva bate na janela, molha as árvores, ofusca as luzes que são meu norte pessoal. Nada se vê em definição, a tempestade é o melhor momento pra se fruir a falta de resolução exata. Quando o vento a traz, a chuva pede passagem, pede espaço, pede caminho que - mal sabe ela - eu deixo sempre reservado para a fastidiosidade da vida e dos pensamentos. Quando há tempestade e ambiguidade de pensamento, é porque ainda que haja todo um céu azul de tarde de primavera a resplandecer lá fora, dentro de mim há muito cinza, muitas nuvens, e um vento que quase sempre sopra do sul.

domingo, 20 de novembro de 2011

Relativamente bem

Chega um momento em que somos forçados a perceber que nunca estará tudo bem. Sempre haverá mais uma vontade, mais uma preocupação, mais um algo a ser feito. E enquanto isso pode prover uma sensação de leve desespero às vezes, fazendo parecer que jamais alcançaremos os alvos que temos em mente, também temos que reconhecer que as inquietações fazem parte da jornada. Independente de onde se quer chegar, é necessário que tenhamos algo para nos lembrar de que não podemos ficar parados. Na caminhada, encontraremos coisas a serem feitas, arrependimentos, erros próprios e alheios... Mas é necessário aceitar tudo isso e andar. Mesmo que devagar, mesmo que sem rumo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Traçando supérfluos

Muitas vezes somos atraídos pelo visual. O que é visto se relaciona tanto com os sentidos, com a emoção, com a resposta que temos a algo. É fácil se deixar levar por um anúncio de pouco conteúdo se ele nos fisgar pelo olho. Assim como também é fácil se deixar levar por uma roupa bonita, por um sorriso bonito, por uma vontade de cor e beleza que vem de dentro. Mas na verdade, não é o traço da escrita que importa, o que devemos absorver é a mensagem. E não incomumente, mensagens lindas são surrupiadas de sua verdadeira apreciação pelo espaço que concede-se àquilo que só traz agrado instantâneo. Leia mais a fundo, olhe mais a fundo, perceba mais a fundo. A beleza que há nas coisas nem sempre está na superfície.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Datas e cores

É fácil se perder em meio a tantos dias. Temos dias bons, dias ruins, dias de extrema inspiração e dias em branco... Cada conjunto de 24 horas que passamos tem diferente conotação, importância ou desdém específico. Às vezes atribuímos a certos dias uma importância simbólica, ou uma significação magnífica que necessita ser celebrada. Às vezes outros nos atribuem significações impostas, e somos obrigados a observá-las. Mas os dias são apenas horas, horas apenas minutos, minutos apenas segundos e assim por diante... Acho que o que quero dizer é que os dias são apenas tempo. Tempo para preenchermos da forma que melhor acharmos, seja com caneta colorida, glitter e adesivos de criança ou com traços firmes em nanquim preto. Nós desenhamos o tempo, e o tempo é apenas nossa vida... A vida sendo só uma existência na qual seguimos, dia após dia, por determinação.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Em crise

Crise: Manifestação violenta, repentina e breve de um sentimento, entusiasmo ou afeto.


Breve. É isso que o dicionário diz. Mas e quando tudo é violento, repentino, entusiasmo, afeto ou desespero? Quando a vida é apenas uma manifestação desse predicamento incomum? Seria correto dizer que vivo em crise? Ou então considerar que, sendo minha existência também breve, toda a minha vida é uma crise? Sei que há momentos de dissipação de tormento, mas esses são menores que os que gasto em tempestade. Vivo. Sim, vivo, isso não há como contradizer. Mas não vivo em crise, vivo a crise, uma crise é minha vida. Que seja breve.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

(Re)Conhecer

Relutante, ela entrou. E ao sentar-se, sentiu iniciar aquela longa viagem que sempre se fazia, independente de querer ou não. Fechou os olhos e enxergou pra dentro de si, do tempo que tinha passado deixando-a se perder. Cerrou os braços contra o peito e sentiu a dor. A dor sempre vinha, não só nessas viagens, mas em horas de indefinição e naqueles momentos vulneráveis de cabeça no travesseiro antes de dormir. As luzes já haviam se apagado e ela reclinou a cadeira, colocou o sinto de segurança. Não havia precaução que pudesse a poupar daquilo, ela sabia e se resignou. A música lhe pulsava pelos ouvidos e as melodias cantavam memórias de outros tempos, outras vontades. Sua mente se fechou. Ali, com os olhos fechados, ela sabia que não importava o seu destino. Ela jamais chegaria a onde já esteve. Reconhecer essa impossibilidade lhe trouxe inquietação, e até um certo desespero. Mas ao passar da noite, quando os primeiros raios de sol começaram a tocar seu rosto, ela sabia que isso só significava que havia um caminho infinito a ser trilhado, de possibilidades também infinitamente melhores.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Em pavor

Eu tenho medo do escuro e de estradas tortas... De caminhos que não têm destino certo, da visão que se perde na neblina. Tenho medo do duvidoso, do inseguro, de tudo o que se modifica antes de se consolidar. Temo a noite, com suas horas quietas e compridas que me atormentam sem motivo e o dia, claro e imodificável, sempre me traz promessas de coisas vazias... Fujo de tudo que me limita, que me prende, e tenho medo de andar solta, sem caminho próprio a seguir. Tenho medo de viver, e medo de morrer, e medo de ser. E de não ser.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Capital State of Mind

É um novo ponto. Uma nova visão. Eu olho da janela e de repente, estou em outro mundo. Quando o sol se esconde, a cidade acende e então começa nova vida. Novos sons. Tudo é tão novo, tão vasto e tão complexo que me perco na confusão emaranhada de ruas e placas e vidas que se cruzam na calçada. É muita vida pra pouco lugar. É muito lugar pra pouco eu. É um lugar que pouco a pouco se faz em mim, se faz minha vida.