terça-feira, 24 de maio de 2011
Arquitetura da Escrita
Existe diferença. Podem afirmar que não, mas eu, você e cada pessoa que aprecia verdadeiramente o prazer de escrever atestará que sim. Quando se escreve do centro da mente, do pensamento livre e espontâneo que lhe vem, por acaso, no meio de uma aula chata, quando deveria estar prestando atenção em outra coisa. Quando a vontade transborda em papel e aquilo é apenas uma extensão de você. Quando as mãos pedem, a cabeça pede, cada célula literária do corpo pede. Agora vai me dizer que essa sensação de preenchimento natural e de satisfação se iguala à de elaborar um texto minuciosamente arquitetado, que tem cada palavra medida, cada frase projetada e cada parágrafo coordenado numa combinação completa? Não, meus senhores... Essa forma de escrita "superior", que infere no planejamento de cada detalhe, não tem como intenção satisfazer a quem a realiza... Apenas a quem tem vontade e tempo o suficiente para esmiuçá-lo em pedaços e, apesar de todo o esforço e esmero, identificar cada componente que o denigra.
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