sexta-feira, 10 de junho de 2011
Entrave
É estranho, se sentir assim. Quando você está num mesmo lugar, um lugar cheio de pessoas, presenças e possibilidades e ainda assim se sente presa. É estranho não conseguir caminhar. Parar e olhar para os seus pés fixos no chão, como se de repente tivessem perdido toda utilidade. Mas a culpa não é dos seus pés, nem das pernas a que se prendem. A estagnação não é física, essa é apenas um prolongamento. O que está preso se encontra lá, em algum lugar lá dentro, num estranho lugar que todos afirmam que possuímos. Um subconsciente? Um intelecto? Não, nenhum dos acima. O problema é não conseguir seguir em frente, é deixar-se fechar as portas do órgão que pulsa sangue ao nosso corpo. Subjetivamente, o coração. Apesar de a anatomia não encarregá-lo de nenhuma função emotiva, é ele que nos prende. E nos solta. E nos deixa perdidos, e achados e completamente desnorteados. Num momento meu, disse a meu coração que não mais o queria. Então, parei. Estou congelada, até que a emoção me reative.
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